quarta-feira, 4 de julho de 2018

INVERSÃO DE VALORES

Acompanhando agora os jogos e todas as reportagens sobre a Copa do Mundo na Rússia, achei estranho o status de verdadeiros deuses que os jogadores têm hoje. No tempo do Mané Garrincha, craque total, acho que o salário mal dava para alimentar as suas inúmeras filhas.
Hoje os caras, com seu talento, conseguem uma ascensão social e financeira, que de outra maneira seria impossível. Acho bacana ver que a maioria deles tirou a família da pobreza e deu conforto principalmente às suas mães batalhadoras. 
Mas o que me causa estranheza é ver a influencia que esses jogadores têm através das redes sociais. Alguns são formadores de opinião, mesmo tendo um nível de instrução baixíssimo. Tudo bem que instrução formal nunca foi sinônimo de sabedoria, mas o mínimo seria bem desejável.
A mídia exalta tanto os jogadores, como verdadeiros heróis (?), que as adolescentes começam a achá-los até mesmo bonitos! 
Talento a parte, Ronaldinho Gaúcho nunca foi padrão de beleza. Por isso meu espanto, quando anos atrás vi meninas se esguelando por ele numa reportagem.

Outra categoria que acredito ter uma atenção exagerada da mídia é a das modelos.
Verdadeiras deusas (ainda que só pele e osso), muitas se negam a sair da cama por menos de USD 10 mil.
Sei que a vida delas não é este mar de rosas das revistas, pois implica em eternas dietas, fotos feitas no frio do amanhecer para pegar a melhor luz do sol, vestir um biquini quando a temperatura está 8 graus...
Mas me pergunto, por quê os salários são tão absurdamente altos para pessoas que tiveram apenas a sorte de ter uma boa genética!!!
Quantos médicos, cientistas que procuram a cura de doenças que melhorarão a vida de milhares de pessoas não têm esse salário?
Quantos professores se dedicam dentro e fora da sala de aula a guiar crianças em seus primeiros anos, em seus primeiros aprendizados e jamais receberão nada que chegue sequer perto do salário de um jogador ou de uma modelo?
Às vezes me pego pensando nas profissões que são extremamente importantes e muito, muito sub-remuneradas. Imagina o que é ser motorista de ônibus numa linha Bangu/Copacabana no verão??? O trânsito, o calor, aquele ruído ensurdecedor do motor ao seu lado...sem falar das eventuais grosserias de  passageiros irritados.
Costumamos só dar valor aos lixeiros quando fazem greve, e a gente se depara com montanhas de dejetos nas ruas. São pessoas que trabalham manuseando material muitas vezes mau cheiroso, ou que não foi descartado corretamente, principalmente  vidro e objetos perfuro-cortantes.

Sei que minha indignação não leva a nada, mas acho que deveríamos, enquanto sociedade, refletir se o que está acontecendo não é uma total inversão de valores.

domingo, 10 de junho de 2018

NUDEZ

Em 1984 fiz minha primeira viagem internacional e a empolgação era dupla. Primeiro, pela oportunidade de conhecer lugares que só via em filmes/livros e depois por estar viajando pela primeira vez totalmente por minha conta, sem as amarras de pai/mãe/irmãos.Viajei com mais 5 colegas de trabalho: eramos 4 moças e 2 rapazes que trabalhavam juntos.
Em Zürich vivi uma situação completamente inusitada. Aproveitando o sol e calor do mês de agosto, fomos tomar sol e nadar à beira do lago. Até aí, tudo normal. Centenas de pessoas faziam a mesma coisa, desfrutando do fim de verão. O que me chamou a atenção, é que as pessoas chegavam no gramado, junto ao lago, tiravam suas roupas e colocavam seus trajes de banho, ali mesmo, na frente de todo mundo. Não havia vestiário, cabine, nada. E não havia qualquer forma de pudor também! Num Brasil onde o topless estava causando certo escândalo à época, me pareceu muito inusitada esta postura tão natural frente a nudez.
Percebi que era um costume local, muito natural, pois vi avós, crianças, mães com carrinhos de bebê, todos, sem exceção, se valendo de tal prática. Ningúem tomava banho de sol ou nadava nu. Apenas trocavam de roupa na frente de todos. Vi executivos que pareciam querer aproveitar sua hora de almoço para um bronzeamento rápido, voltando a colocar seus ternos e voltar para seus escritórios.
Confesso que, no auge dos meus 19 anos, aquilo de certa forma me chocou. Era moderno demais para minha cabeça tupiniquim!
Passados 13 anos, fui à Grécia com E. Em Mykonos alugamos uma scooter e, num dia de sol, mas muito vento friozinho, fomos conhecer a praia Paradise, que havíamos ouvido falar  ser muito bonita. Ao chegarmos lá, constatamos a beleza do local, mas vimos também se tratar de uma praia de nudismo. Era nudismo, mas um nudismo "família": famílias inteiras, de todas as faixas de idade se estendiam sobre a areia. Quando chegamos lá, o vento já amainara e o calor resolvera dar as caras. Como estávamos sem roupa de banho, propus a E. que simplesmente entrassemos no clima local e tirassemos nossas roupas. Meio chocado com a minha proposta, ele se recusou e, sentado sob o guarda-sol, me viu placidamente tirar a roupa e ficar de bruços numa espreguiçadeira, enquanto ele ficava heroicamente "derretendo" dentro de sua calça jeans. Depois começou a relaxar, dizendo que iria tirar uma foto (mas máquinas eram proibidas) e mandar para o meu pai, dizendo: "olha só o que a sua filha anda aprontando na Grécia!". A nudez era uma coisa tão natural na praia Paradise, que a moça que cobrava o aluguel da mesa/espreguiçadeira/guarda-sol, vinha apenas com uma pochete em torno da cintura, onde colocava o dinheiro recebido.
Depois de ver a tranquilidade como crianças e pessoas também muito idosas desfrutavam do dia de sol, E. finalmente resolveu tirar a calça jeans e ficar só de cueca. Falei para  ele que aquilo estava ridículo: ele chamava mais atenção naquele traje do que qualquer outra pessoa nua na praia. Mas não teve jeito, seu pudor foi maior.
Após umas duas horas, resolvemos conhecer a praia Super Paradise, que constava do nosso guia. Deixamos a scooter de lado e fomos a pé. Só um pequeno morro separava as duas praias e fomos caminhando por uma trilha, eu na frente e ele me seguindo. Ao descer na enseada, tomei um susto e freei bruscamente. E. perguntou o que acontecera e, quando se posicionou ao meu lado, viu na enseada uns 300 caras completamente nus. Chegaramos a uma praia de nudismo gay. A nossa chegada também deve ter chamado a atenção deles, pois pareceu-me que 300 pares de olhos nos olhavam curiosamente, se perguntando o que um casal de homem e mulher faziam no local. Perguntei para o E. o que deveríamos fazer então, e ele disse para percorrermos toda a enseada e irmos até a outra ponta, onde havia uma barraca de praia. A gente tomaria uma Coca Cola e daí voltaríamos, caminhando naturalmente, sem demonstrarmos o quanto estávamos surpresos. E assim fomos nós. Ao caminharmos pelas ruas de Mykonos, jantando em pequenos restaurantes nos dias anteriores, já havíamos percebido que a ilha parecia ser um paraíso gay internacional, mas nada me preparara para ver uns 300 homens completamente nus num só lugar!!! Todos eram muito branquinhos, com cara de alemães ou nórdicos. Na verdade, eram cor de rosa, devido as horas de sol inclemente que deviam ter tomado na praia. Mas o que me surpreendeu mais, é que eram completamente depilados. Todos. Apesar do meu ar blasé o meu espanto deveria ser visível, pois E. não resistiu e falou: você nunca viu tanto pinto junto, né? NÃO MESMO!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

BICHO NA ILHA 1

Na Bahia até os bichos são tranquilos.
Há alguns anos, estava deitada no sofá, assistindo o jornal à noite, quando, pela porta dos fundos, me apareceu um sariguê.
Para quem não conhece, ele é uma espécie de gambá, muito comum na Ilha. Dizem que pode ser bem arisco, quando se sente ameaçado.
Estando sozinha, pensei como eu faria para tirá-lo da sala, caso ele resolvesse adentrar. Já estava na cozinha, na frente da geladeira, e eu ali, paralisada de medo, olhando-o do sofá.
Simplesmente não me levantei, não gritei para assustá-lo, nada.
Só falei: "Ai, ai, ai. Não pode entrar!"
Parece mentira, mas ele olhou para mim, inclinou a cabeça, deu meia volta e saiu. Placidamente....

quinta-feira, 5 de abril de 2018

MALUCO BELEZA

​Um amigo diz que Itaparica deve ter o maior percentual de maluco por metro quadrado!
Não sei se tem o  maior, mas que são muito peculiares, são.
Os malucos da Ilha são conhecidos por todos e são, o que eu costumo chamar, de ​"doidos mansos".

TONINHO sumiu e nunca mais o vi, mas soube que era um doidinho com endereço fixo e era cuidado por uma irmã, que diziam ser enfermeira e que cuidava de mais 4 irmãos, todos esquizofrênicos. Toninho não bebia, mas parava ao seu lado e ficava incessantemente pedindo: "Me dá R$1,00; me paga um guaraná. Me dá R$1,00, me paga um guaraná".

Havia também o GRILO, que nunca vi abordando ninguém; mas sentava-se na Praça da Quitanda e ficava assobiando "cri, cri, cri..." . Apelido perfeito.

ADRIANA é a doidinha internacional da Ilha. Argentina, veio a Itaparica há muitos anos e acabou se apaixonando por um nativo e ficando. Tendo certa condição financeira, viu seu dinheiro e seu amor se esvair e acabou pirando quando o nativo esperto foi embora, após tirar-lhe tudo o que possuía.
                                       
                             (Adriana, quando a vida ainda lhe sorria)

Hoje vive na Praça do Campo Formoso com seus poucos pertences e um gato que arrasta pela coleira. Às vezes cisma de dar banho no felino e o leva para rampa dos pescadores em frente ao Mercado de Santa Luzia. O pobre bichano não quer entrar na água por nada, mas ainda assim ela o arrasta até o mar. Alguns dias aparece na frente da padaria São Jerônimo e tem sempre alguém para lhe pagar um café, um lanche. Pode por vezes ser agressiva, mas já é tão conhecida que ninguém se preocupa quando começa seus xingamentos em espanhol.

O mais famoso doidinho, porém,  faleceu há poucos anos, e era conhecido como ARQUIVO.
Arquivo era almoxarife do Grande Hotel em seus áureos tempos, e sabia a localização de absolutamente tudo, daí seu apelido.
Já o conheci maluco, mas pessoas me disseram que ele só ficou assim depois que chegou um dia em casa mais cedo e pegou a mulher com outro! 
Negro, baixinho (talvez não tivesse mais que 1,55m) de vez em quando aparecia completamente bêbado, ou "em águas", como se fala na Ilha. Já o vi também com o cabelo pintado de azul.
Antigamente às sextas e sábados, a prefeitura promovia uma seresta na praça do mercado e os boxes em volta, transformados em bares, ficavam cheios. Num palanque um cara com um órgão eletrônico pré-histórico desfilava seu repertório de "arrochas" e "sofrências". Uma noite, passando por ali, vi Arquivo e Adriana dançando de rostinho colado! Deve ser a vitória do amor sobre a loucura...
Um amigo, C., dizia que ir à Itaparica e não conhecer o Arquivo, era não conhecer a Ilha. Que Cláudio Neves, o prefeito à época, morria de inveja da popularidade de Arquivo! Era tão querido, que D., sobrinho de C., professor da Unicamp, mandava todo mês um dinheirinho para que C pagasse a cachaça de Arquivo!!!
Em 2007, C. organizou um bloquinho no Carnaval, e saímos da Fonte da Bica e fomos até a Praça da Quitanda atrás de uma bandinha. Lá encontramos Arquivo, e C. não pensou duas vezes: pegou uma cadeira branca dessas de plásticos, colocou Arquivo sentado  e, com ajuda de alguns amigos,  o levantou no alto, desfilando por toda a praça. Arquivo lá de cima jogava beijos, como um grande imperador em seu trono romano!
Vivia sujo, meio bêbado e, de vez em quando, a meninada o pegava a força e o jogava no mar, para dar um banho. Na Bahia é assim: não tem queima de arquivo. Tem é lavagem do Arquivo!!!

terça-feira, 27 de março de 2018

ATENDENDO O PÚBLICO

Comecei minha vida profissional na Varig, trabalhando no salão de embarque. Era o famoso Salão Sul, do antigo Aeroporto de Brasília. Lá eu descobri que gostava muito de trabalhar com gente, de interagir com todo tipo de pessoa. Do salão de embarque passei para o balcão de check-in, mas nos  últimos anos fui para uma área mais técnica, de balanceamento de aeronaves, o que me afastou do público.

Passando no concurso da Caixa, voltei à linha de frente do atendimento, pois logo no mês seguinte a minha admissão, fui fazer o curso de Caixa Executivo. 
Trabalhar no caixa, apesar do risco de perda financeira por uma eventual desatenção, era uma tremenda diversão. Atendia pessoas de todos os tipos e um dia nunca era igual ao outro. Eu adorava!
Fui trabalhar numa agência pequenina, que hoje nem existe mais, a Agência Asa Sul. Lá a clientela era bem conhecida,  por ser uma unidade junto a uma área residencial. Era uma população, em sua grande parte, já idosa, que tinha vindo para cá no início de Brasília, e nós brincávamos dizendo que era uma "agência geriátrica". 
Passei pela surreal situação de ter que apartar uma discussão entre alguns clientes que disputavam quem eu iria atender primeiro, pois um alegava ter mais de 65 anos, o outro, além de idoso, dizia ser portador de cardiopatia, um terceiro alegou não ter mais um rim...

Havia ali os clientes que já nos eram familiares, como o Sr. Alfredo que todo santo dia aparecia. Ele entrava pela porta da W2, atravessava a agência, tomava um café, lia o jornal, e saía pela W3. Fazia isso várias vezes por dia e uma vez resolvemos contar quantas "visitas" receberíamos naquele único expediente. Foram 8!
Além dele, tinha o Sr. Valetim, que talvez tenha sido o senhorzinho mais elegante que eu atendi em todos os meus anos de CEF. Cabelo branquinho impecavelmente penteado, sempre de camisa polo e calça social, todo arrumadinho.
Sr. Brasileiro, D. Selma e todas as suas filhas, eram clientes antigos e ele, em especial, nosso companheiro de boteco, quando às sextas-feiras começávamos nosso  final de semana num "pé sujo" que ficava ao lado.

Depois de 4 anos na Asa Sul, pintou uma oportunidade de permuta com um colega da Agência Aeroporto. Eu já passara 6 anos deliciosos trabalhando ali na Varig e voltar para aquele lugar onde  meus mais queridos amigos ainda estavam era irresistível.
Lá eu descobri que o atendimento ao público tem lá suas graças. Diariamente o boy do posto de gasolina chegava com um monte de cheques. Em cada um tínhamos que bater 2 carimbos, e ainda anotar o número da conta de depósito, caso já não viesse preenchido. Isso demandava tempo e o Ivanildo sempre puxava papo. 
O primeiro comentário dele sobre a minha figura foi: "você tem bem pouquinho cabelo, né?". Frente a esta constatação óbvia, só pude concordar. Aí ele falou de um shampoo novo que tinha acabado de ser lançado (Garnier Fructis, nunca esqueci!) e que ele estava usando. Passou a mão nos cabelos, balançou a cabeça e eu pensei comigo mesma: se for para o meu cabelo ficar igual ao dele, é melhor eu nem experimentar esse shampoo!!!!

Num outro dia reparei que ele não parava de olhar para o meu crachá, onde a minha foto trazia os meus cabelos compridos, de quando eu entrara na Caixa. Agora eu estava com o cabelo curtíssimo, com o corte que chamávamos à época "Joãozinho". Ele olhou para mim, para o crachá, olhou de novo e disse:
"Os cabelos são a beleza da mulher, né?"...
                                             (a foto do crachá)

Poucos dias depois, lá estava o Ivanildo de novo no meu guichê. Enquanto eu carimbava a tonelada de cheques do depósito dele, equilibrando os óculos na ponta do nariz, ele me sai com essa: "óculos enfeia tanto, né?"
Aí não aguentei: "Pô, Ivanildo...um dia desses você falou que o meu cabelo é pouco, que tinha que ser comprido para ser bonito; agora falou dos meus óculos, acho que amanhã você vai sugerir que eu coloque um aparelho nos dentes!".

segunda-feira, 26 de março de 2018

ARMENGUE

Hoje recebi um zap de um amigo, dizendo que descobrira por acaso meu blog na internet.
Eu  nem lembrava mais dele! Do blog, não o amigo, que é queridíssimo e tem o excelente blog Janelas & Portas (janelaseportas.blogspot.com.br), contando suas aventuras por lugares incríveis que viajou.
Fui reler alguns textos, e me deparei com  COISAS QUE SÓ SE FALAM EM ITAPARICA.
Terminei essa crônica no dia 7/6/2015, dizendo que minha palavra do "baianês" predileta era o ARMENGUE.
Depois de 37 anos frequentando a Bahia, somente ano passado fiquei sabendo, através do meu vizinho Jorge, a origem de tal vocábulo.
Vamos à estória...
Na Bahia há muita exploração de petróleo e gás e nos anos 50 foram importados alguns equipamentos dos Estados Unidos. Os engenheiros americanos que vieram efetuar a montagem e treinar os operadores logicamente perceberam que não seria preciso utilizar os produtos químicos que impediriam que o gás/petróleo congelasse nos canos. Por conta disso, algumas adaptações (arrangements) foram necessários.
Rapidamente o baiano logo transformou o arrangement em ARMENGUE.
Até hoje a palavra é utilizada no sentido de se dar um jeitinho numa coisa que não está funcionando a contento, quebrar um galho com uma gambiarra ou algo que o valha. 

Baianês também é cultura!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

SIMPLICIDADE

Viajando com G. pela Bahia, acabamos deixando o carro em Camamu para pegarmos a barca até Barra Grande, onde passaríamos uns dias.
Chegando na estação, compramos logo os bilhetes, e ainda tínhamos uma boa meia hora de espera. Resolvi, então, perguntar para o bilheteiro se havia toilette por ali. Ele foi categórico ao dizer "Não".

 Meu amigo achou estranho que não tivesse e não titubeou: "E banheiro, tem?"
 O rapaz prontamente respondeu: "Ali, à direita".
Simples assim. 
Para que complicar, né?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ORAÇÃO

Sempre ouvia falar no poder da oração, até que tive a oportunidade de vivenciar esse verdadeiro bálsamo para alma.
Com dores constantes no ombro, finalmente me rendi e fui a um ortopedista que pediu uma tomografia, ressonância magnética, sei lá! Aquele exame em que a gente entra num tubo.

sábado, 16 de janeiro de 2016

LENTES...DE NOVO!

Num texto chamado 3 Horas falei da minha dificuldade e completa incapacidade em usar lentes de contato.
Via minhas amigas comentando que colocavam as benditas às 6h da manhã e só tiravam à meia-noite, sem qualquer problema.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MINHA MÃE

Triste ver como o desamor pode fazer um estrago enorme. Minha mãe teve um relacionamento conturbado com minha avó. Até os 9-10 anos minha mãe viveu entrando e saindo de hospitais. Deve ter feito umas 12 cirurgias. Em vez de ser acarinhada, ninada, minha avó dizia que ela nunca iria se casar, porque não haveria um homem que quisesse ficar com uma aleijada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

COMIDINHAS DE RUA

No quesito "frescura" nasci com meu marcador zerado.
Como não se deliciar com um bom pastel de feira? Aquele óleo que está ali seguramente há dias é que dá o tempero! O dia em que trocam, tenho certeza que as vendas despencam.
Sempre comi besteira na rua, para asco de uma grande amiga. Um dia a gente pegava o ferry juntas, e ela se chocou quando eu disse que ia chamar a moça da tapioca. "Você vai ter coragem de comer???". Claro que sim! Tem coisa mais gostosa que a tapioca com o côco fresco ralado grosso e aquele montão de leite condensado por cima?

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CURAÇAO

Há muito tempo, lá pelo ano de 1998, depois de uma briga séria, deixei o namorado para trás e fui de férias para Curaçao.
Depois de uma conexão em Caracas, fui chegar quase às 10h de uma noite de sábado.
Não havia nenhum local para fazer câmbio, mas os taxistas aceitavam dólares.
Rodei à beça com o cara, e já estava ficando cabreira, mas como o aeroporto é do outro lado da ilha, distante de Willemstadt....
No dia seguinte aluguei um carro no hotel e fui dar uma volta.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A PONTE

Quando começaram a falar sobre a possível construção da ponte Salvador-Itaparica, fui terminantemente contra. Para mim, a ilha acabaria virando um subúrbio da capital, com todas suas mazelas. Mas aí me falaram: e as pessoas que moram aqui e trabalham em SSA? E os meninos que precisam pegar a barquinha ou o ferry para estudar num lugar melhor?

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PIRENÓPOLIS

A primeira vez que fui a Piri tem tanto tempo, que acho que foi na era mesozoica!
Participei de um evento da CEF, onde passamos o tempo todo ouvindo intermináveis palestras e, nem mesmo à noite, consegui escapulir. Após o jantar, rolavam umas dinâmicas que tínhamos que participar e no fim eu já estava com tanto sono que nem saí da Pousada dos Pireneus. Dois dias trancada feito Rapunzel...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MEU PAI

Este mês meu pai completou 82 anos. É engraçado como, com o passar do tempo, a gente se torna meio "pai" dos nossos pais.
Aos 20 e poucos anos, um cliente da agência em que eu trabalhava disse que me vira, no fim de semana, com o meu "esposo". Sempre saí de braço dado com ele, desde menina. Hoje em dia, percebo que estes braços entrelaçados são muito mais para apoiar a ele, do que a mim.

domingo, 7 de junho de 2015

COISAS QUE SÓ SE FALAM EM ITAPARICA!

Não sei se algumas expressões só existem em Itaparica ou se são peculiares da Bahia, como um todo. 
A verdade é que desde que fui à ilha pela primeira vez, quando tinha 16, venho me deparando com um vocabulário para lá de rico e completamente desconhecido aqui mais para o sul.
Para quem sai do cerrado candango, como eu, o linguajar do ilheu soa, às vezes, como um dialeto de outro país.
De repente você dá de cara com o verbo "pongar", "estuporar", o adjetivo "casquinha", "banda voou".... Tem ainda o "cacete armado", o "caqueiro", a "fração"...Não adianta a  moça que está com "papeira"  se enfeitar com a "passadeira" e querer sair "na pipoca". É mister ficar em casa!
A riqueza do falar do baiano é tanta, que na ilha a palavra "aonde" vira um adjunto adverbial de negação!

domingo, 3 de maio de 2015

COISAS QUE SÓ SE OUVEM EM ITAPARICA!

Em julho de 2014 chamei um técnico para instalar o modem e preparar meu acesso wifi, já que sou uma negação com computadores. O cara era gente boa, cunhado do mestre-de-obras que fez a reforma do meu ap.
Uns meses depois eu soube que ele estava gravemente doente, internado na UTI, onde veio a falecer.
Perguntei o que havia acontecido e me disseram que não sabiam direito. Achavam que ele tinha pego um "vírus de computador". A princípio achei que estivessem brincando comigo, mas no desenrolar da conversa, percebi que falavam sério: "a senhora sabe, né, ele mexe com essas coisas de internet...".
E o pior é que ouvi isso não só de uma pessoa, e todas falavam com seriedade, na santa ingenuidade das pessoas simples deste interiorzão do nosso Brasil.

(* No fim, pelo que pude apurar, acho que ele morreu mesmo foi de meningite!)

terça-feira, 7 de abril de 2015

COISAS QUE SÓ SE VÊEM EM ITAPARICA!

Shampoo de quiabo com mandioca e ainda leva jaborandi e urtiga! Sem sal e sem álcool! Praticamente uma refeição!


sábado, 21 de março de 2015

PLANO ECONÔMICO

Eu tinha um amigo que me pedia para fazer as tarefas do curso de inglês. Eu não via muito sentido no cara freqüentar e pagar as aulas se não se dava ao trabalho de estudar em casa, mas como não me custava nada...
Um dia ele me pediu para fazer uma redação com tema livre, desde que fosse uma coisa surreal.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

VIDAS DESPERDIÇADAS

No sábado de Carnaval o filho de um amigo teve morte cerebral.
O apelo que meu amigo fez por orações; o apelo que ele fez a Deus, era de cortar o coração...
Não deveria ser permitido a ninguém sentir tamanha dor.