Acompanhando agora os jogos e todas as reportagens sobre a Copa do Mundo na Rússia, achei estranho o status de verdadeiros deuses que os jogadores têm hoje. No tempo do Mané Garrincha, craque total, acho que o salário mal dava para alimentar as suas inúmeras filhas.
Hoje os caras, com seu talento, conseguem uma ascensão social e financeira, que de outra maneira seria impossível. Acho bacana ver que a maioria deles tirou a família da pobreza e deu conforto principalmente às suas mães batalhadoras.
Mas o que me causa estranheza é ver a influencia que esses jogadores têm através das redes sociais. Alguns são formadores de opinião, mesmo tendo um nível de instrução baixíssimo. Tudo bem que instrução formal nunca foi sinônimo de sabedoria, mas o mínimo seria bem desejável.
A mídia exalta tanto os jogadores, como verdadeiros heróis (?), que as adolescentes começam a achá-los até mesmo bonitos!
Talento a parte, Ronaldinho Gaúcho nunca foi padrão de beleza. Por isso meu espanto, quando anos atrás vi meninas se esguelando por ele numa reportagem.
Outra categoria que acredito ter uma atenção exagerada da mídia é a das modelos.
Verdadeiras deusas (ainda que só pele e osso), muitas se negam a sair da cama por menos de USD 10 mil.
Sei que a vida delas não é este mar de rosas das revistas, pois implica em eternas dietas, fotos feitas no frio do amanhecer para pegar a melhor luz do sol, vestir um biquini quando a temperatura está 8 graus...
Mas me pergunto, por quê os salários são tão absurdamente altos para pessoas que tiveram apenas a sorte de ter uma boa genética!!!
Quantos médicos, cientistas que procuram a cura de doenças que melhorarão a vida de milhares de pessoas não têm esse salário?
Quantos professores se dedicam dentro e fora da sala de aula a guiar crianças em seus primeiros anos, em seus primeiros aprendizados e jamais receberão nada que chegue sequer perto do salário de um jogador ou de uma modelo?
Às vezes me pego pensando nas profissões que são extremamente importantes e muito, muito sub-remuneradas. Imagina o que é ser motorista de ônibus numa linha Bangu/Copacabana no verão??? O trânsito, o calor, aquele ruído ensurdecedor do motor ao seu lado...sem falar das eventuais grosserias de passageiros irritados.
Costumamos só dar valor aos lixeiros quando fazem greve, e a gente se depara com montanhas de dejetos nas ruas. São pessoas que trabalham manuseando material muitas vezes mau cheiroso, ou que não foi descartado corretamente, principalmente vidro e objetos perfuro-cortantes.
Sei que minha indignação não leva a nada, mas acho que deveríamos, enquanto sociedade, refletir se o que está acontecendo não é uma total inversão de valores.




