Quando começaram a falar sobre a possível construção da ponte Salvador-Itaparica, fui terminantemente contra.
Para mim, a ilha acabaria virando um subúrbio da capital, com todas suas mazelas. Mas aí me falaram: e as pessoas que moram aqui e trabalham em SSA? E os meninos que precisam pegar a barquinha ou o ferry para estudar num lugar melhor?
Me senti tão mesquinha...Só pensei no meu paraíso sendo violado. Não vi o lado dos nativos. Só imaginei que a ilha perderia o charme de estar a 13km de uma grande cidade, mas vivendo quase como nos anos 10, do século passado. Como o casario lindo, que ainda está de pé no Campo Formoso.
Me senti tão mesquinha...Só pensei no meu paraíso sendo violado. Não vi o lado dos nativos. Só imaginei que a ilha perderia o charme de estar a 13km de uma grande cidade, mas vivendo quase como nos anos 10, do século passado. Como o casario lindo, que ainda está de pé no Campo Formoso.
Quando minha irmã veio aqui, ao passar pelo primeiro transeunte que me deu Bom Dia, ela perguntou quem era. Eu disse: não sei. Aqui as pessoas passam e se cumprimentam.
Hoje quando o rapaz da oficina começou a consertar minha bike, eu disse que iria em casa pegar o $ enquanto ele fazia o serviço. Ele disse para eu pagar amanhã ("você não é aquela que mora no Marina Village e corre todo dia cedinho? Precisa não. Paga amanhã."). Nem imaginei que o cara soubesse quem eu era, mas descobri que aqui todo mundo me conhece, principalmente porque (me disseram uma vez) eu "falo" diferente. Disseram que meu coração era fechado (???) e levei alguns segundos sem entender. Me explicaram que eu não falo "córação"!
De bike pronta voltei em casa e peguei o $. Não porque desdenhei o crédito, mas porque sou meio esquecida e não quis correr o risco de dar o cano em quem me teve tanta confiança.
Então, a Ilha deve ter semelhanças com mais um monte de lugares neste mundão a fora...Lugares esquecidos pelo poder público e para os quais talvez a única solução seja realmente uma ponte....
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