No quesito "frescura" nasci com meu marcador zerado.
Como não se deliciar com um bom pastel de feira? Aquele óleo que está ali seguramente há dias é que dá o tempero! O dia em que trocam, tenho certeza que as vendas despencam.
Sempre comi besteira na rua, para asco de uma grande amiga. Um dia a gente pegava o ferry juntas, e ela se chocou quando eu disse que ia chamar a moça da tapioca. "Você vai ter coragem de comer???". Claro que sim! Tem coisa mais gostosa que a tapioca com o côco fresco ralado grosso e aquele montão de leite condensado por cima?
Melhor que isso, só se for o picolé de côco da barquinha. Não consigo nem imaginar de onde vem a água que eles adicionam àquela delícia gelada, mas só em pensar em dar uma chupadinha no picolé e ficar com os fiapinhos do côco para morder, me dá água na boca!
Meu ex-chefe quase infartou um dia que o levei para almoçar no Faisão Dourado. Apesar do nome, é um restaurante que deve estar apenas um degrau acima do que classificamos de "pé sujo". Mas tem um filé com farofa e fritas que é divino.
Vale a mesma coisa do óleo do pastel: o dia que lavarem a chapa, perderão a freguesia.
A gente se sentou numa mesinha no fundo, embaixo das árvores, e as pombas ficaram lá fazendo a festa. Dizem que pomba é um "rato alado", mas fazer o que com as bichinhas?...
Quem nunca comeu a feijoada da Paulicéia, da 114 Sul, ou o jabá, da Feira do Núcleo Bandeirante, não conhece Brasília!
E o bife acebolado do Amigão? O ovo frito do Bar do Afonso?
Tem pé sujo melhor?
Voltando à tapioca, estou impressionada como uma comida tão simples, de origem indígena e paladar nordestino, agora foi gourmetizada!
Uma simples tapioca pode custar quase 10 pilas!!!
Mas para que pagar tanto se na Feira do Guará ela custa uns R$4 e aquela deliciosa do ferry é somente R$2?
Em Itacaré comi a melhor tapioca da minha vida! A barraca do Elias fica na praia de Geribucaçu, que você chega depois de uns bons 40 minutos de trilha. Na época ela custava R$5, o que era um absurdo. Mas imagina o trabalho que o pobre do Elias tinha de trazer todos os ingredientes mato a dentro?? Valia demais! E com aquele visual ainda...era de comer de joelhos!
Talvez a falta de nojo de comida de rua venha de um fato (esse verdadeiramente nojento!!!!) que aconteceu comigo na infância.
Minha mãe não deixava de jeito nenhum a gente mascar chiclete. Era aquela estória de que isso estraga os dentes, tem muito açúcar, etc, etc.
Até que um dia saímos eu, ela e minha irmã, que tem 5 anos mais do que eu.
Para completo horror da minha mãe, eu me abaixei e peguei um chiclete já mascado que havia sido jogado na calçada, e ia colocá-lo na boca.
Depois do ataque da minha mãe, minha irmã placidamente falou que eu fazia isso direto....Arrghhhh!
Dali em diante o chiclete lá em casa foi liberado. Eram compradas caixas e caixas na Campineira, lá na 513 Sul (quem é do começo de BSB vai se lembrar).
Não havia essa variedade de hoje: era só Ping Pong de hortelã e tutti-fruti.
A caixa ficava junto ao piano e estava liberado para hora que eu quisesse.
QUALQUER COISA, menos pegar da calçada, pelo amor de Deus!!!
Eca!!!!
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