quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

COMIDINHAS DE RUA

No quesito "frescura" nasci com meu marcador zerado.
Como não se deliciar com um bom pastel de feira? Aquele óleo que está ali seguramente há dias é que dá o tempero! O dia em que trocam, tenho certeza que as vendas despencam.
Sempre comi besteira na rua, para asco de uma grande amiga. Um dia a gente pegava o ferry juntas, e ela se chocou quando eu disse que ia chamar a moça da tapioca. "Você vai ter coragem de comer???". Claro que sim! Tem coisa mais gostosa que a tapioca com o côco fresco ralado grosso e aquele montão de leite condensado por cima?
Melhor que isso, só se for o picolé de côco da barquinha. Não consigo nem imaginar de onde vem a água que eles adicionam àquela delícia gelada, mas só em pensar em dar uma chupadinha no picolé e ficar com os fiapinhos do côco para morder, me dá água na boca!
Meu ex-chefe quase infartou um dia que o levei para almoçar no Faisão Dourado. Apesar do nome, é um restaurante que deve estar apenas um degrau acima do que classificamos de "pé sujo". Mas tem um filé com farofa e fritas que é divino.
Vale a mesma coisa do óleo do pastel: o dia que lavarem a chapa, perderão a freguesia.
A gente se sentou numa mesinha no fundo, embaixo das árvores, e as pombas ficaram lá fazendo a festa. Dizem que pomba é um "rato alado", mas fazer o que com as bichinhas?...
Quem nunca comeu a feijoada da Paulicéia, da 114 Sul, ou o jabá, da Feira do Núcleo Bandeirante, não conhece Brasília!
E o bife acebolado do Amigão? O ovo frito do Bar do Afonso?
Tem pé sujo melhor?
Voltando à tapioca, estou impressionada como uma comida tão simples, de origem indígena e paladar nordestino, agora foi gourmetizada!
Uma simples tapioca pode custar quase 10 pilas!!!
Mas para que pagar tanto se na Feira do Guará ela custa uns R$4 e aquela deliciosa do ferry é somente R$2?
Em Itacaré comi a melhor tapioca da minha vida! A barraca do Elias fica na praia de Geribucaçu, que você chega depois de uns bons 40 minutos de trilha. Na época ela custava R$5, o que era um absurdo. Mas imagina o trabalho que o pobre do Elias tinha de trazer todos os ingredientes mato a dentro?? Valia demais! E com aquele visual ainda...era de comer de joelhos!
Talvez a falta de nojo de comida de rua venha de um fato (esse verdadeiramente nojento!!!!) que aconteceu comigo na infância.
Minha mãe não deixava de jeito nenhum a gente mascar chiclete. Era aquela estória de que isso estraga os dentes, tem muito açúcar, etc, etc.
Até que um dia saímos eu, ela e minha irmã, que tem 5 anos mais do que eu.
Para completo horror da minha mãe, eu me abaixei e peguei um chiclete já mascado que havia sido jogado na calçada, e ia colocá-lo na boca.
Depois do ataque da minha mãe, minha irmã placidamente falou que eu fazia isso direto....Arrghhhh!
Dali em diante o chiclete lá em casa foi liberado. Eram compradas caixas e caixas na Campineira, lá na 513 Sul (quem é do começo de BSB vai se lembrar).
Não havia essa variedade de hoje: era só Ping Pong de hortelã e tutti-fruti.
A caixa ficava junto ao piano e estava liberado para hora que eu quisesse.
QUALQUER COISA, menos pegar da calçada, pelo amor de Deus!!! 
Eca!!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário