Em 1984 fiz minha primeira viagem internacional e a empolgação era dupla. Primeiro, pela oportunidade de conhecer lugares que só via em filmes/livros e depois por estar viajando pela primeira vez totalmente por minha conta, sem as amarras de pai/mãe/irmãos.Viajei com mais 5 colegas de trabalho: eramos 4 moças e 2 rapazes que trabalhavam juntos.
Em Zürich vivi uma situação completamente inusitada. Aproveitando o sol e calor do mês de agosto, fomos tomar sol e nadar à beira do lago. Até aí, tudo normal. Centenas de pessoas faziam a mesma coisa, desfrutando do fim de verão. O que me chamou a atenção, é que as pessoas chegavam no gramado, junto ao lago, tiravam suas roupas e colocavam seus trajes de banho, ali mesmo, na frente de todo mundo. Não havia vestiário, cabine, nada. E não havia qualquer forma de pudor também! Num Brasil onde o topless estava causando certo escândalo à época, me pareceu muito inusitada esta postura tão natural frente a nudez.
Percebi que era um costume local, muito natural, pois vi avós, crianças, mães com carrinhos de bebê, todos, sem exceção, se valendo de tal prática. Ningúem tomava banho de sol ou nadava nu. Apenas trocavam de roupa na frente de todos. Vi executivos que pareciam querer aproveitar sua hora de almoço para um bronzeamento rápido, voltando a colocar seus ternos e voltar para seus escritórios.
Confesso que, no auge dos meus 19 anos, aquilo de certa forma me chocou. Era moderno demais para minha cabeça tupiniquim!
Passados 13 anos, fui à Grécia com E. Em Mykonos alugamos uma scooter e, num dia de sol, mas muito vento friozinho, fomos conhecer a praia Paradise, que havíamos ouvido falar ser muito bonita. Ao chegarmos lá, constatamos a beleza do local, mas vimos também se tratar de uma praia de nudismo. Era nudismo, mas um nudismo "família": famílias inteiras, de todas as faixas de idade se estendiam sobre a areia. Quando chegamos lá, o vento já amainara e o calor resolvera dar as caras. Como estávamos sem roupa de banho, propus a E. que simplesmente entrassemos no clima local e tirassemos nossas roupas. Meio chocado com a minha proposta, ele se recusou e, sentado sob o guarda-sol, me viu placidamente tirar a roupa e ficar de bruços numa espreguiçadeira, enquanto ele ficava heroicamente "derretendo" dentro de sua calça jeans. Depois começou a relaxar, dizendo que iria tirar uma foto (mas máquinas eram proibidas) e mandar para o meu pai, dizendo: "olha só o que a sua filha anda aprontando na Grécia!". A nudez era uma coisa tão natural na praia Paradise, que a moça que cobrava o aluguel da mesa/espreguiçadeira/guarda-sol, vinha apenas com uma pochete em torno da cintura, onde colocava o dinheiro recebido.
Depois de ver a tranquilidade como crianças e pessoas também muito idosas desfrutavam do dia de sol, E. finalmente resolveu tirar a calça jeans e ficar só de cueca. Falei para ele que aquilo estava ridículo: ele chamava mais atenção naquele traje do que qualquer outra pessoa nua na praia. Mas não teve jeito, seu pudor foi maior.
Após umas duas horas, resolvemos conhecer a praia Super Paradise, que constava do nosso guia. Deixamos a scooter de lado e fomos a pé. Só um pequeno morro separava as duas praias e fomos caminhando por uma trilha, eu na frente e ele me seguindo. Ao descer na enseada, tomei um susto e freei bruscamente. E. perguntou o que acontecera e, quando se posicionou ao meu lado, viu na enseada uns 300 caras completamente nus. Chegaramos a uma praia de nudismo gay. A nossa chegada também deve ter chamado a atenção deles, pois pareceu-me que 300 pares de olhos nos olhavam curiosamente, se perguntando o que um casal de homem e mulher faziam no local. Perguntei para o E. o que deveríamos fazer então, e ele disse para percorrermos toda a enseada e irmos até a outra ponta, onde havia uma barraca de praia. A gente tomaria uma Coca Cola e daí voltaríamos, caminhando naturalmente, sem demonstrarmos o quanto estávamos surpresos. E assim fomos nós. Ao caminharmos pelas ruas de Mykonos, jantando em pequenos restaurantes nos dias anteriores, já havíamos percebido que a ilha parecia ser um paraíso gay internacional, mas nada me preparara para ver uns 300 homens completamente nus num só lugar!!! Todos eram muito branquinhos, com cara de alemães ou nórdicos. Na verdade, eram cor de rosa, devido as horas de sol inclemente que deviam ter tomado na praia. Mas o que me surpreendeu mais, é que eram completamente depilados. Todos. Apesar do meu ar blasé o meu espanto deveria ser visível, pois E. não resistiu e falou: você nunca viu tanto pinto junto, né? NÃO MESMO!!!