segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CURAÇAO

Há muito tempo, lá pelo ano de 1998, depois de uma briga séria, deixei o namorado para trás e fui de férias para Curaçao.
Depois de uma conexão em Caracas, fui chegar quase às 10h de uma noite de sábado.
Não havia nenhum local para fazer câmbio, mas os taxistas aceitavam dólares.
Rodei à beça com o cara, e já estava ficando cabreira, mas como o aeroporto é do outro lado da ilha, distante de Willemstadt....
No dia seguinte aluguei um carro no hotel e fui dar uma volta.
A ilha é muito linda e as praias têm uma cor sensacional.
Depois do almoço eu sempre tirava um cochilo no maravilhoso ar condicionado do quarto, porque o calor por lá não é fácil! 
Quando eu andava na rua, a cada 5 ou 10 minutos entrava numa loja. Não que quisesse comprar alguma coisa, mas apenas para evitar que meu cérebro derretesse!!!
Às 5h da tarde, todo dia eu  atravessava a ponte móvel só para pedestres, que liga Punda, onde eu estava, à Otrabanda. Lá, depois de uma boa caminhada, eu me deliciava com um maravilhoso chessecake no Wendy's.
Um dia, saindo para este meu encontro com as calorias,  tomei um tombaço quando saía do hotel. Rolei pelas escadas e fui parar no ponto de táxi. Um motorista me socorreu e eu não conseguia nem ficar em pé direito. Apareceu o gerente do hotel, alguns outros funcionários, e me levaram para o quarto.
O problema é que alguns meses antes eu quebrara o pé, e tinha sido meio brabo, tinha ficado de muletas. Agora o mesmo pé estava de novo detonado.

O gerente ligou para um médico, e ele recomendou que eu colocasse gelo durante toda a noite. Se não melhorasse, no dia seguinte, ele daria uma olhada. O pessoal do hotel foi super atencioso e, de hora em hora, alguém batia na porta do quarto, me levando gelo. Como eu não conseguia me apoiar, quando não estava na cama pegava uma cadeira com rodinhas e com ela ia "remando" até a porta, a varanda, o banheiro....A dor era constante e passei a noite acordada. Devo ter visto todos os filmes disponíveis na TV a cabo.

Eu estava completamente só em Curaçao, e fiquei pensando: e se em vez de torcer o pé, eu tivesse batido a cabeça e ficado desacordada? Eu já fizera inúmeras viagens sozinhas, mas só naquele dia percebi como isto nos deixa vulneráveis.

Felizmente o acidente ocorreu no fim da tarde de domingo, e eu viria embora na terça. Então, não chegou a atrapalhar minhas férias.
Chato foi ficar 6h em conexão em Caracas. Com o pé daquele jeito não dava nem para eu sair para conhecer a cidade, e muito menos bater perna pelo aeroporto. O tempo de espera era maior do que o próprio volto Caracas-São Paulo! Coloquei o pé para cima, apoiado numa cadeira, e mergulhei num livro, para o tempo passar.

Depois de horas de vôo até São Paulo, e conexão para Brasília, finalmente cheguei.
Dizem que o Universo conspira a favor, mas às vezes, ele sabe ser malévolo e tudo dá errado.
Nesta época eu trabalhava no aeroporto, e tinha deixado meu carro no estacionamento dos funcionários.
Quando fui pegá-lo, ele não ligava de jeito nenhum. Bad news! Fui atrás de um amigo que é meio McGuiver e ele deu uma carga na bateria, que me possibilitou chegar em casa.

Quando abri a porta, vi meu reloginho espatifado no chão. Decerto o prego caíra e meu lindo cuco tentara o suicídio!
Fui até o banheiro, lavei as mãos, e quando abri a porta do armário, um vidro cheinho de Amarige que minha mãe me dera, caiu na pia, se quebrando em zilhões de pedaços. Durante semanas devo ter tido o banheiro mais cheiroso da cidade!

Pensei no coração amargurado pelo namorado, o pé torcido, o chá de aeroporto, o carro, o cuco, o perfume...sentei no sofá e chorei até cansar!






5 comentários:

  1. Vi, me avisa quando vc publicar um livro com suas histórias.... adoro ler seus textos

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    1. Juju, isso é que é um incentivo para continuar escrevendo!!! Beijos, linda!

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  2. Eu também quero ir a noite de autógrafos. Você escreve muito bem. Grande cronista! Beijinhinhos Elaine

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