Não sei se algumas expressões só existem em Itaparica ou se são peculiares da Bahia, como um todo.
A verdade é que desde que fui à ilha pela primeira vez, quando tinha 16, venho me deparando com um vocabulário para lá de rico e completamente desconhecido aqui mais para o sul.
Para quem sai do cerrado candango, como eu, o linguajar do ilheu soa, às vezes, como um dialeto de outro país.
De repente você dá de cara com o verbo "pongar", "estuporar", o adjetivo "casquinha", "banda voou".... Tem ainda o "cacete armado", o "caqueiro", a "fração"...Não adianta a moça que está com "papeira" se enfeitar com a "passadeira" e querer sair "na pipoca". É mister ficar em casa!
A riqueza do falar do baiano é tanta, que na ilha a palavra "aonde" vira um adjunto adverbial de negação!
Fim de semana é dia de "baba" pros marmanjos, enquanto a garotada encara uma "picula". Tem muita gente que "dá banca", e o "mangangão" não quer saber de nada "peba". O "taxeiro" leva o "primo carnal" até o "brega", porque este não quer saber de "paletar". O "descarado" é "marreteiro".
Na área gastronômica, então, o vocabulário é singular! Deliciosa é a "carne de fumeiro", a melhor "fatia de parida" que já comi na vida, foi feita pelo meu amigo Elon, e tem ainda a maravilhosa "punheta" (não, não é o que você está pensando!) . Nunca me arrisquei na "passarinha", e não tive oportunidade de comer um "chupa-molho", mas com certeza uma hora eu experimentarei.
Isso sem falar na inversão das palavras, que na ilha ninguém fala em comer uma moqueca de camarão; de peixe. Lá se come é "camarão de moqueca", "peixe de moqueca", "arraia de moqueca"...A ordem é invertida, mas o sabor, delicioso...
Bom seria se só de "caju em caju" aparecesse um chato "em águas", que não diz "lé com cré"!
Mas de todas as palavras/expressões, a minha predileta é o "armengue". É tão perfeita que eu já incorporei no meu vocabulário!
Ó pai ó, que eu não dou ousadia!
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