Um amigo diz que Itaparica deve ter o maior percentual de maluco por metro quadrado!
Não sei se tem o maior, mas que são muito peculiares, são.
Os malucos da Ilha são conhecidos por todos e são, o que eu costumo chamar, de "doidos mansos".
TONINHO sumiu e nunca mais o vi, mas soube que era um doidinho com endereço fixo e era cuidado por uma irmã, que diziam ser enfermeira e que cuidava de mais 4 irmãos, todos esquizofrênicos. Toninho não bebia, mas parava ao seu lado e ficava incessantemente pedindo: "Me dá R$1,00; me paga um guaraná. Me dá R$1,00, me paga um guaraná".
Havia também o GRILO, que nunca vi abordando ninguém; mas sentava-se na Praça da Quitanda e ficava assobiando "cri, cri, cri..." . Apelido perfeito.
ADRIANA é a doidinha internacional da Ilha. Argentina, veio a Itaparica há muitos anos e acabou se apaixonando por um nativo e ficando. Tendo certa condição financeira, viu seu dinheiro e seu amor se esvair e acabou pirando quando o nativo esperto foi embora, após tirar-lhe tudo o que possuía.
(Adriana, quando a vida ainda lhe sorria)
Hoje vive na Praça do Campo Formoso com seus poucos pertences e um gato que arrasta pela coleira. Às vezes cisma de dar banho no felino e o leva para rampa dos pescadores em frente ao Mercado de Santa Luzia. O pobre bichano não quer entrar na água por nada, mas ainda assim ela o arrasta até o mar. Alguns dias aparece na frente da padaria São Jerônimo e tem sempre alguém para lhe pagar um café, um lanche. Pode por vezes ser agressiva, mas já é tão conhecida que ninguém se preocupa quando começa seus xingamentos em espanhol.
O mais famoso doidinho, porém, faleceu há poucos anos, e era conhecido como ARQUIVO.
Arquivo era almoxarife do Grande Hotel em seus áureos tempos, e sabia a localização de absolutamente tudo, daí seu apelido.
Arquivo era almoxarife do Grande Hotel em seus áureos tempos, e sabia a localização de absolutamente tudo, daí seu apelido.
Já o conheci maluco, mas pessoas me disseram que ele só ficou assim depois que chegou um dia em casa mais cedo e pegou a mulher com outro!
Negro, baixinho (talvez não tivesse mais que 1,55m) de vez em quando aparecia completamente bêbado, ou "em águas", como se fala na Ilha. Já o vi também com o cabelo pintado de azul.
Antigamente às sextas e sábados, a prefeitura promovia uma seresta na praça do mercado e os boxes em volta, transformados em bares, ficavam cheios. Num palanque um cara com um órgão eletrônico pré-histórico desfilava seu repertório de "arrochas" e "sofrências". Uma noite, passando por ali, vi Arquivo e Adriana dançando de rostinho colado! Deve ser a vitória do amor sobre a loucura...
Um amigo, C., dizia que ir à Itaparica e não conhecer o Arquivo, era não conhecer a Ilha. Que Cláudio Neves, o prefeito à época, morria de inveja da popularidade de Arquivo! Era tão querido, que D., sobrinho de C., professor da Unicamp, mandava todo mês um dinheirinho para que C pagasse a cachaça de Arquivo!!!
Em 2007, C. organizou um bloquinho no Carnaval, e saímos da Fonte da Bica e fomos até a Praça da Quitanda atrás de uma bandinha. Lá encontramos Arquivo, e C. não pensou duas vezes: pegou uma cadeira branca dessas de plásticos, colocou Arquivo sentado e, com ajuda de alguns amigos, o levantou no alto, desfilando por toda a praça. Arquivo lá de cima jogava beijos, como um grande imperador em seu trono romano!
Em 2007, C. organizou um bloquinho no Carnaval, e saímos da Fonte da Bica e fomos até a Praça da Quitanda atrás de uma bandinha. Lá encontramos Arquivo, e C. não pensou duas vezes: pegou uma cadeira branca dessas de plásticos, colocou Arquivo sentado e, com ajuda de alguns amigos, o levantou no alto, desfilando por toda a praça. Arquivo lá de cima jogava beijos, como um grande imperador em seu trono romano!
Vivia sujo, meio bêbado e, de vez em quando, a meninada o pegava a força e o jogava no mar, para dar um banho. Na Bahia é assim: não tem queima de arquivo. Tem é lavagem do Arquivo!!!


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