Triste ver como o desamor pode fazer um estrago enorme.
Minha mãe teve um relacionamento conturbado com minha avó. Até os 9-10 anos minha mãe viveu entrando e saindo de hospitais. Deve ter feito umas 12 cirurgias. Em vez de ser acarinhada, ninada, minha avó dizia que ela nunca iria se casar, porque não haveria um homem que quisesse ficar com uma aleijada.
Se a sua própria mãe te chama de aleijada... imagina a piração que não é para uma criança, uma adolescente!
Meus pais estão casados há 57 anos e nem sempre foi um mar de rosas (qualquer um que já foi casado sabe que não dá para ser, né?), mas percebo que meu pai é o porto seguro da minha mãe.
Porém o estrago da minha avó já estava feito: minha mãe tem a autoestima lá embaixo, por uma coisa que ela chama de "meu defeito", e que eu mesma só fui reparar quando já era adolescente! Alguns amigos meus nunca nem perceberam, até que eu comentasse.
Numa época em que era tão importante as mulheres terem um marido, acho que ela cresceu pensando que ficaria irremediavelmente só...
Hoje os papeis se inverteram. Virei um pouco mãe da minha mãe.
Quando saímos, eu que dirijo, e é em mim que ela se apoia.
Dou os remédios, seguindo uma escala em que eu e minha irmã nos revezamos.
Engraçado que a memória dela está indo embora, mas ela se tornou uma pessoa muito mais terna.
Na minha infância meu pai era o chameguento, ela, a disciplinadora.
Isto começou a mudar quando os netos chegaram e ela se derreteu.
Hoje em dia ela me liga, diz que está com saudade...coisa impensável na minha infância.
E gosto de sentar ao lado dela no sofá e vê-la se encolher toda, quando faço cosquinhas!
Minha velhinha....
Tudo a seu tempo...
ResponderExcluirTodas as fases da vida, fechando um ciclo necessário à todos!!!
À nós e a eles.
Beijo, beijo, beijo.
Necessário, mas às vezes tão doloroso...
ResponderExcluirBeijo, beijo, beijo.