terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ORAÇÃO

Sempre ouvia falar no poder da oração, até que tive a oportunidade de vivenciar esse verdadeiro bálsamo para alma.
Com dores constantes no ombro, finalmente me rendi e fui a um ortopedista que pediu uma tomografia, ressonância magnética, sei lá! Aquele exame em que a gente entra num tubo.
Nunca fui uma pessoa claustrofóbica, mas toda minha coragem foi ao chão, quando me vi dentro daquele verdadeiro túmulo.
O técnico disse que eu não poderia me mexer de forma alguma. E me mexer como, se meu nariz parecia estar a 5 cm do aparelho???Meu ombro estava amarrado numa posição horrorosa, e uma outra faixa ainda me apertava o peito.
Para piorar, o frio era medonho e meu coração disparou alucinadamente.
Me senti enterrada viva.
Como minhas pernas estavam para fora, minha opção foi mexer o dedão do pé, para que o cara, que estava por trás de um vidro, viesse me resgatar.
Ele apertou um botãozinho e me fez deslizar para fora.
Ar! Ar!
Ele perguntou se eu queria deixar para fazer o exame num outro dia. Disse que algumas pessoas só conseguiam fazê-lo sedadas...
Aí eu pensei: se eu sair daqui, não voltarei nunca mais. Vou ficar com esta dor no ombro até morrer!
Respirei fundo e falei para ele me colocar de volta.

Eu só sei 4 orações: Ave Maria, Pai Nosso, o Creio e a Salve Rainha.
Comecei a rezar, e quando terminava a Salve Rainha, voltava pro começo, e dá-lhe Ave Maria....
No fim das contas eu percebi que estava tão tranquila, que minha mente viajara para outros caminhos. Comecei a pensar nas coisas que tinha que resolver antes da viagem programada para o mês seguinte.
Não percebi que o barulho de metralhadora terminara e, quando o técnico me tirou, perguntei: Já?
Ele deve ter achado que sou louca!

Um dia desses não é que vi na TV o Dr. House olhando uma radiografia e dizendo: capsulite adesiva! Exatamente o problema que já me atacou os dois ombros, em momentos distintos. Eu não conseguia levantar os braços acima de uma determinada altura, tinha que abotoar o sutiã na frente e rodar (porque alcançá-lo lá atrás era impossível), fazia uma tremenda ginástica para prender o cabelo. Era mais fácil entortar a cabeça e deixar o rabo de cavalo ir escorregando até chegar na fivela.
Estando de saco cheio de tanta fisioterapia, um dia vi no Google que, na maioria das vezes, depois de 2 anos ela vai embora do jeito que chegou: sozinha. Depois de 1 ano e 8 meses de "ombro congelado", não é que ela me abandonou mesmo?
Eu agora só rezo para que ela não volte, e nunca mais eu tenha que entrar naquele "túmulo" de novo! Senão vai ter que rolar uma Ave Maria, Pai Nosso, Creio, Salve Rainha....

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