quarta-feira, 11 de março de 2020

O PARDAL

No início do verão, estávamos aguardando a partida do ferry da 13h para Itaparica, quando reparei num passarinho no teto. 
O pé direito do terminal é bem alto, talvez uns 5 ou 6 metros, e o pardalzinho se balançava lá no alto.
A princípio, E. , que estava comigo, imaginou que ele estivesse fazendo um ninho, pois víamos um fiapinho junto a ele. Mas, olhando atentamente, percebi que na verdade ele estava preso por uma das patinhas.
O bichinho se revirava, tentava se soltar e nada. Em um momento, acho que vencido pelo cansaço, chegou a ficar de ponta cabeça, seguro apenas pelo fio que o prendia.
Felizmente, acho que após recuperar o fôlego, começou novamente sua batalha para se soltar.
Percebi nesse momento que não só eu, mas inúmeras pessoas acompanhavam seu esforço, impotentes em ajudá-lo, devido a altura do teto.
Depois de muito se retorcer, finalmente o pequenino pardal se soltou voando para longe e, nesse momento, foi um alvoroço só. As pessoas gritaram, bateram palmas, sorriram!
Fiquei feliz de ver tal demonstração pois, enquanto as pessoas se alegrarem com a vitória de um simples passarinho, é sinal que a humanidade ainda tem jeito, e não estamos de todo perdidos. Vi minha fé restaurada.

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