sábado, 27 de julho de 2019

HRAN

Dia 22 de julho fui visitar uma amiga no HRAN.
A filha dela me avisara que ela fora internada na sexta-feira, 19. Na verdade, quando cheguei lá, constatei que ela estava desde então, na sala de medicação do Pronto Socorro, pois não havia vaga na enfermaria.
O HRAN padece daqueles males que recorrentemente vemos na TV: pessoas instaladas em macas pelos corredores devido a super lotação e a falta total de condições mínimas de conforto.
Me chocou a  quantidade de pessoas na sala de medicação e percebi que minha amiga estava usando um vestido que eu conhecia. Não havia aquelas batas que vemos ser distribuídas nos hospitais particulares. Aliás, não havia sequer lençol para os pacientes. O que havia sobre  a cama dela, tinha sido levado por sua filha: travesseiros, lençóis, um edredon e um cobertor. Olhando ao redor, percebi que era assim em todas as macas. Uma profusão de cores de roupa de cama, pois cada um havia levado a sua.
No fim da sala, havia uma pessoa, a qual eu só conseguia enxergar dos joelhos para baixo  e me chocou a cor dos pés saindo pela coberta. Era de um preto, tão sujo, mas tão sujo, que imagino que aquele paciente não tomava banho há dias. Num local onde a assepsia deveria ser norma, havia esta pessoa que não tinha tido condições sequer de lavar os pés. 
O banheiro coletivo não era dos mais limpos, segundo minha amiga, por isso ela preferia se arrastar até um outro, mas longínquo, que ela havia descoberto. Este, pela distância, não era muito frequentado, então era menos sujo. O banho era de água gelada, o que é uma crueldade neste inverno candango, e um convite a pneumonia.
As poucas cadeiras para acompanhantes tinham seu estofamento rasgado, e suas entranhas de espuma expostas.
Após 3 dias tomando dipirona e tylenol, ela disse que iria pedir para o médico dar alta, pois esta medicação ela poderia tomar em casa, onde teria melhores condições de higiene e a atenção permanente da filha.
Fiquei com pena do corpo clínico, obrigado a trabalhar em tão precárias condições. Imagino que a medicação que minha amiga tomava era a única disponível pois, ao ter alta neste mesmo dia, o médico prescreveu um antibiótico. Se era para tomar um antibiótico, porque ele não estava sendo ministrado já no hospital? Certamente não tinha! Há dez dias ela padecia com o pé infeccionado, que estava super vermelho e inchado. Em casa, após apenas 12h da saída do hospital e com o antibiótico correto, o pé voltou ao normal. 
Saí de lá tão horrorizada com a situação do HRAN, que eu e minha irmã estávamos verdadeiramente chocadas. Até que ponto essa situação é devida a falta de recursos? Até que ponto não é falta de gestão? Não sei como funciona a legislação de entidades públicas para efetuação de compras, as licitações, mas seria possível também estabelecer parcerias com os empresários? Uma determinada empresa/loja não poderia "adotar" uma ala do hospital, ou, pelo menos, ficar responsável por 10 camas, por exemplo, fornecendo a roupa de cama e vestimenta para os pacientes? Fazendo a manutenção das macas, camas e poltronas? A comunidade do DF não poderia ser envolvida? O povo brasileiro é solidário  e, tenho certeza que se chamado a doar, conseguiríamos abastecer todo o hospital de lençóis, fronhas, toalhas.
Mas é preciso que o gestor tome a frente e mobilize as pessoas. Não é possível que a legislação seja paralisante, por medo de eventuais fraudes, e deixe os pacientes a mercê da falta de condições.
A sensação que tive do HRAN foi só uma: aquilo é um depósito de gente. Já vi petshops em que bichos são mais bem tratados...

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