Enquanto morava com meu pai, sempre vi alunos dele indo almoçar lá em casa. Um especial ficou para sempre unido à vida da minha família. Francisco Damasceno era de uma família simples da Ceilândia, criado pela mãe. Sempre estudou em escola pública e passou no vestibular da UnB. Foi aluno do meu pai na graduação e se tornaram amigos. Tanto que quando ele resolveu fazer mestrado, conseguiu convencer meu pai a fazê-lo também, apesar de mais de 30 anos de formado e 50 de idade. E lá foi meu pai se embrenhar nos livros e projetos com o Chico. Se empolgaram tanto, que acabaram escrevendo um livro, que hoje é adotado em várias faculdades de Tecnologia. Um dia o Chico partiu, foi fazer Doutorado. E quando voltou, tornou-se professor do Departamento de Engenharia Elétrica, ao lado do seu querido Mestre Wilson. O menino simples da Ceilândia, chegou a ser chefe do Departamento. E nesses anos todos, mesmo depois de aposentado, meu pai nunca perdeu contato com o Chico. Estavam sempre se falando. Ontem quando liguei para avisar do vôo do meu Passarinho, Chico atendeu o telefone aos prantos. Tinha acabado de saber pela cunhada dele, que trabalha com minha irmã. Aí ficou ele chorando de um lado, eu chorando do outro. Falei que meu pai o queria como a um filho, e ele disse que o Mestre Wilson tinha sido muito mais que um pai para ele. Que quando liguei, ele estava se preparando para ir para o prédio do meu pai, saber notícias da minha mãe, pois o telefone não atendia.


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