sábado, 17 de abril de 2021

A SAUDADE QUE MEU PASSARINHO DEIXOU

 O dia que fomos contar à minha mãe que seu Passarinho voara, encontramos na portaria com a Viviana, que há uns 30 anos trabalha na casa da vizinha. Sabendo que meu pai estava internado, ela perguntou por ele. Caiu no choro quando soube do seu falecimento, comentando o quanto gostava dele.

Essa semana fiquei até mais tarde na casa da minha mãe e acabei encontrando o Sr. Ronaldo, zelador da noite. Ele veio falar comigo, dizendo do seu pesar e lembrando que meus pais sempre interfonavam, por volta de 9h, para ele ir pegar uma fatia de bolo, um sanduíche...
Mais uma vez pude constatar o carinho que as pessoas sentiam pelo meu pai. E aquece o coração ver que este sentimento vinha também das pessoas mais simples que o cercavam. Morando por 41 anos na 309, ali ele passou quase metade de toda a sua vida. Por isso não me surpreende vê-lo querido pela Viviana, Sr. Ronaldo, Carlão, o frentista do posto, Cacau, dono da borracharia, Jarbas, do quiosque de chaves e alicates, Sr. Lima, sapateiro, e até o Vascaíno, que cuida dos carros no estacionamento do Pão de Açúcar, bem ao lado do seu bloco. Cada um que vem falar comigo, me traz lágrimas aos olhos, mas é como diz o ditado: "Saudade é o preço que se paga por viver com pessoas incríveis."

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