Passadas as eleições presidenciais, continuamos vendo a Esquerda falar em "resistência" e criticar a escolha dos novos ministros. Sem querer entrar no mérito se o novo presidente foi a melhor a escolha, o que me surpreende é ver como os militantes da Esquerda neste país são iludidos, fingidos ou burros mesmo!!! Talvez as 3 alternativas juntas.
Faz-se apologia dos regimes de Esquerda, que não deram certo em lugar algum do mundo. Che Guevara e Fidel são idealizados como grandes estadistas. Me pergunto se são só iludidos ou mal informados mesmo.
Estive em Cuba em 1990 e foi uma experiência bem interessante ver, in loco, como funciona o socialismo. Igualdade para todos...pero no mucho.
No primeiro dia em Havana, eu e minha irmã pegamos um city tour, cujo guia era um médico, que fazia tal serviço para complementar sua renda (à época o equivalente a USD 14!). Na rua éramos seguidos por crianças que nos pediam, não dinheiro, mas uma "pluna". Descobri que a tal pluna era a versão caribenha da nossa boa e velha Bic.
As "tiendas" eram separadas para turistas e locais. Nas dos turistas, as mercadorias eram negociadas apenas em dólar, e havia uma variedade jamais imaginada pela população residente.
Minha irmã e eu resolvemos ir conhecer a sorveteria Copélia, que é bem famosa em Havana. O sol estava inclemente, mas mesmo assim ficamos na enorme fila do lado de fora do estabelecimento. Depois de uns 5 minutos aguardando, acho que alguém percebeu que éramos turistas e, rapidamente, fomos tiradas da fila e colocadas numa sala, com ar condicionado, onde um garçom anotou nosso pedido. Foi constrangedor sair da fila, deixando para trás tanta gente que aguardava há muito mais tempo que nós.
Na volta para o hotel, tentamos pegar um táxi. Chovia copiosamente, e nenhum veículo para o qual acenávamos, parava. Finalmente uns rapazes que estavam do outro lado da rua se aproximaram e nos informaram que não adiantava fazer sinal para os motoristas. Tínhamos o tipo físico de cubanas, então eles achavam que éramos locais, o que automaticamente nos proibia de pegar um transporte deste tipo.
O Malecon, a avenida a beira-mar, me pareceu triste; sem qualquer tipo de vegetação, como coqueiros, palmeiras, nada. Só concreto na calçada e areia. Por todo canto se viam cartazes exortando as virtudes do socialismo e muitas fotos de seus líderes.
Uma outra coisa que me chamou a atenção, é que achava que a população era basicamente negra, num estilo meio soteropolitano: vários tons de pele, da mais negra à mulata e suas variações. Na verdade, só vi pessoas muito negras, assim como muito, muito brancas, de olhos claros, num padrão meio europeu. Num táxi que pegamos, o motorista parecia sueco! Me surpreendeu não ver tonalidades variadas de pele morena. Eram os dois extremos: negros e brancos.
Quando chegamos em Cayo Largo, uma ilha com a praia mais linda que já vi na vida (Praia Sirena), um grupo nos aguardava no aeroporto, servindo coqueteis e cantando uma música cujo refrão dizia: "comandante Che Guevara".
Estranhei que tanto em Havana como em Cayo Largo não víssemos pequenas embarcações, típicas de pescadores, já que estávamos numa ilha. Discretamente nos informaram que a pesca não era incentivada, pois todos que tinham a possibilidade de ter um barco acabavam fugindo.
Nesta viagem minha irmã conheceu um cubano, que 3 anos mais tarde, se tornaria seu marido.
Veio morar no Brasil com ela, e algum tempo depois, conseguiu permissão para que sua mãe viesse a passeio para uma temporada. Irene ficou por aqui cerca de 1 ano, e uma coisa que eu jamais me esqueci, foi sua paixão por chuchu!!!! Um dia ela foi a um pequeno mercado próximo à casa da minha irmã, e quando viu chuchu começou a chorar! Disse que amava chuchu, mas que há mais de 30 anos não comia, pois depois da revolução, praticamente toda terra cubana era dedicada ao cultivo de cana e tabaco. Ela ficou ainda extasiada com a variedade de produtos e fico imaginando sua surpresa se, ao invés de um pequeno mercado de quadra, ela tivesse ido a um dos enormes hipermercados que temos aqui....
Nas férias minha irmã e meu cunhado iam sempre a Cuba, e invariavelmente, pagavam um excesso de bagagem enorme. Teve uma vez que levaram 100kg de bagagem extra, pois na mala iam coisas básicas que eram preciosas lá. Eram litros e litros de shampoo, condicionador, lingerie, roupas em geral, que abasteceriam a família dele. (Pela caderneta de racionamento, cada habitante tinha direito a um único sabonete por mês, lembro bem.). E olha que a família de O. tinha alguns privilégios, pois o pai era coronel do Exército que lutara junto com Fidel.
Numa dessas idas a Caibarién, minha irmã se machucou. Logo na entrada do hospital, foi avisada que, caso fosse preciso ficar internada, ela deveria providenciar a roupa de cama, absorvente íntimo, alimentação, enfim, tudo. Felizmente fora um pequeno corte no pé, e apenas uns pontos foram necessários. A tão famosa medicina cubana, não era assim essas coisas todas. Estava bem próxima do nosso SUS!
Ainda numas férias, quando foi convidada por uns amigos do meu cunhado para uma festa, perguntou o que deveria levar. "Uma barra de gelo", responderam. Ela estranhou, mas depois entendeu. Com o racionamento de energia, ter uma geladeira em casa que pudesse fazer gelo era artigo de luxo. Ela, viajando com dólares, poderia facilmente adquirir o gelo que serviria para resfriar as bebidas.
Depois de uns 6 anos o casamento terminou e hoje O. mora na Flórica, como centenas de cubanos. Mas sempre que lembro dele, penso em quão linda é a sua ilha e como poderia estar numa situação melhor. Seria bom se a nossa "Esquerda festiva" fosse passar uns dias por lá para ver a realidade cotidiana desse povo. Em uma coisa eles se parecem conosco: apesar de todas as necessidades, não perdem a alegria.
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